O que são os «tratamentos inovadores» para a artrose e o que mostram os estudos?
«Tratamento inovador» não é uma categoria médica. É a expressão usada para infiltrações e técnicas que prometem mais do que aliviar. Esta tabela resume o que as fontes verificadas dizem de cada uma. Ozono e radiofrequência ficam de fora: até 24 de setembro de 2026 não encontrámos revisões que possamos citar, e convém pedir ao ortopedista os estudos que sustentam a proposta.
Plasma rico em plaquetas (PRP)
O PRP é um concentrado de plaquetas injetado dentro da articulação com a promessa de estimular a reparação. A OARSI, na sua orientação de 2019, recomendou fortemente contra o seu uso na artrose, porque, nas palavras do painel, a evidência de suporte é de qualidade extremamente baixa e as próprias formulações ainda não foram padronizadas. Duas clínicas podem estar a chamar PRP a preparações diferentes.
Células estaminais
As injeções de células estaminais recebem exatamente o mesmo veredicto da OARSI 2019. Recomendação forte contra, evidência de qualidade extremamente baixa, formulações sem padrão. A orientação pede mais investigação antes de estes tratamentos entrarem na prática. Até hoje, nenhuma fonte que verificámos mostra cartilagem nova em pessoas.
Ácido hialurónico em infiltração
O ácido hialurónico injetado no joelho, a chamada viscossuplementação, é o melhor exemplo de estudos que se contradizem. A revisão Cochrane de 2006 (76 ensaios) considerou-o eficaz, com o maior efeito entre as 5 e as 13 semanas. Em 2012, Rutjes e colegas analisaram 89 ensaios e 12 667 doentes, separaram os de melhor qualidade e verificaram que, nos 18 ensaios mais rigorosos, com 5 094 doentes, o efeito sobre a dor foi clinicamente irrelevante.
Pior ainda. Em 14 ensaios com 3 667 doentes, a infiltração aumentou o risco de efeitos adversos graves em 41 % (RR 1,41). A análise mais recente e mais exigente é a menos favorável. Contamos as duas porque a diferença entre elas é, em si, a informação.
Infiltração de corticoide
A infiltração de corticoide é antiga, não inovadora, mas é muitas vezes a comparação. A revisão Cochrane (CD005328) descreve um efeito moderado nas primeiras 1 a 2 semanas, pequeno a moderado às 4 a 6 semanas e pequeno às 13 semanas. Às 26 semanas já não se deteta. A qualidade da evidência é baixa em todos os desfechos.