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Atualizado 15 de outubro de 2026 19 min de leitura

Artrite: o que é, tipos, sintomas e tratamento em Portugal

Artrite é a inflamação de uma ou mais articulações: dor, inchaço, calor e, muitas vezes, rigidez de manhã que dura mais de 30 minutos. Não é o desgaste da artrose. Em Portugal, o estudo EpiReumaPt encontrou artrite reumatoide em 0,7 % dos adultos e gota em 1,3 %, e o caminho para o diagnóstico começa no médico de família do centro de saúde.

Esta página explica o que é artrite, como se reconhecem os seus tipos e como se chega à Reumatologia no SNS, com números portugueses e as normas europeias. Não diagnostica nem substitui a palpação das articulações, que é o que confirma a sinovite. Para a artrose, a doença articular mais frequente em Portugal, o ponto de partida é o guia o que é a artrose e como evolui.

0,7 %
adultos em Portugal com artrite reumatoide (EpiReumaPt, 2016)
1,3 %
adultos com gota — 2,6 % dos homens (EpiReumaPt, 2016)
6 em 10
pontos ACR/EULAR 2010 que classificam a artrite reumatoide
120 dias
tempo máximo legal para a 1.ª consulta hospitalar normal no SNS

O que é artrite e em que difere da artrose?

Artrite é um nome que junta várias doenças em que a articulação está inflamada — por ataque do sistema imunitário, por cristais de ácido úrico ou por infeção. Inflamação, não desgaste. A artrose (também chamada osteoartrose ou osteoartrite) é outra coisa — um desgaste lento da cartilagem, com dor que piora ao mexer e alivia em repouso. No SNS, as duas começam no mesmo sítio, a consulta do médico de família, mas seguem caminhos diferentes.

A diferença de escala é enorme. O EpiReumaPt, o estudo nacional em que reumatologistas examinaram 3 877 adultos e confirmaram os diagnósticos, encontrou artrose do joelho em 12,4 % da população — quase 18 vezes mais do que a artrite reumatoide, com 0,7 % (EpiReumaPt, RMD Open 2016).

Quem quer ver as duas lado a lado, sinal a sinal, encontra essa comparação no guia artrite ou artrose: as diferenças. Aqui fica o retrato das artrites em si — que tipos existem, como se confirmam e quem as trata em Portugal.

Quais são os tipos de artrite?

Os tipos de artrite mais relevantes num adulto são seis: reumatoide, psoriática, gota, espondilartrites, reativa e séptica. Cada um tem uma causa diferente e um sinal que costuma denunciá-lo. A classificação resume as normas do ACR e da EULAR usadas pelos reumatologistas europeus.

Artrite reumatoide

A artrite reumatoide é uma doença autoimune. O sistema imunitário ataca a membrana que reveste a articulação (a sinovial). Costuma ser simétrica, isto é, afeta as duas mãos ou os dois pés ao mesmo tempo. Nas mãos atinge as articulações da base dos dedos (metacarpofalângicas, MCF) e as do meio (interfalângicas proximais, IFP), poupando em regra as da ponta.

Artrite psoriática

A artrite psoriática aparece em pessoas com psoríase na pele ou nas unhas. Pode inflamar articulações periféricas e também a coluna. Um sinal típico é a dactilite, o chamado «dedo em salsicha» — um dedo inteiro inchado, e não só uma articulação.

Gota

A gota resulta da deposição de cristais de urato (ácido úrico) dentro da articulação. Manifesta-se em crises agudas, de início rápido e dor muito intensa. O local clássico é a base do dedo grande do pé, a chamada podagra, mas com os anos pode chegar a outras articulações, incluindo as mãos.

Espondilartrites

As espondilartrites, entre elas a espondilite anquilosante, afetam sobretudo a coluna e as articulações sacroilíacas, na base das costas. Começam habitualmente antes dos 45 anos e, segundo a NICE, atingem as mulheres quase tanto como os homens. Em Portugal, o EpiReumaPt estimou-as em 1,6 % dos adultos. A dor lombar deste grupo costuma acordar a pessoa na segunda metade da noite e melhorar com o movimento, ao contrário da dor mecânica do esforço (NICE NG65).

Artrite reativa

A artrite reativa surge semanas depois de uma infeção urinária, genital ou intestinal. O que inflama a articulação é a resposta do organismo a essa infeção anterior. Por isso conta.

Na consulta, convém referir diarreias ou infeções urinárias das semanas anteriores, mesmo que pareçam não ter nada a ver com o joelho ou o tornozelo que agora incha.

Artrite séptica

A artrite séptica é a infeção de uma articulação por bactérias e é uma emergência médica. Costuma atingir uma só articulação, que fica muito quente, inchada e dolorosa, muitas vezes com febre (NHS). Sem tratamento rápido, pode destruir a articulação em dias. Não se espera.

Existe ainda a artrite idiopática juvenil, que começa antes dos 16 anos; fica fora deste guia, pensado para adultos.

Como distinguir os tipos de artrite: sinais, análises e quem trata

A tabela resume, para cada tipo de artrite, o sinal que mais orienta, as análises habituais e o médico que acompanha a doença em Portugal. É um mapa para a consulta, não uma ferramenta de autodiagnóstico.

Fontes: critérios ACR/EULAR 2010 (Aletaha, 2010), recomendações EULAR para a gota (Richette, 2017) e NHS.

Quais são os sintomas de artrite?

Os sintomas de artrite são dor, inchaço e calor na articulação, rigidez prolongada de manhã e, em várias formas, cansaço. O sinal que mais separa a artrite da artrose é a duração da rigidez matinal — mais de 30 a 60 minutos na artrite reumatoide, poucos minutos na artrose.

Na artrite reumatoide, a dor, o inchaço e o calor podem somar-se a fadiga, e mãos e pés são atingidos com frequência (NIAMS). Quem sofre usa palavras concretas. Uma doente com artrite psoriática escreveu num fórum português: «tenho dores diariamente nas grandes articulações nomeadamente na bacia» (De Mãe para Mãe).

Sinais que apontam para inflamação, e não para desgaste:

  • rigidez ao acordar que dura mais de meia hora;
  • articulações inchadas e quentes ao toque;
  • as mesmas articulações atingidas dos dois lados do corpo;
  • dor também em repouso e durante a noite;
  • cansaço que não se explica pelo esforço feito.

Quando as queixas se concentram nos dedos e no punho, o guia sobre dores nas articulações das mãos ajuda a separar artrite de túnel cárpico, tendinites e artrose. Quando a dor é difusa e vem com exaustão, o texto sobre dores articulares com cansaço cobre fibromialgia e outras causas. E quando ainda não há pista nenhuma, o ponto de partida é o guia de dor nas articulações sem diagnóstico.

Quantas pessoas têm artrite em Portugal?

Em Portugal, as formas de artrite mais comuns são as espondilartrites e a gota, seguidas da artrite reumatoide. Os números vêm do EpiReumaPt, o único estudo nacional em que reumatologistas examinaram doentes selecionados a partir de 10 661 adultos rastreados (Branco et al., RMD Open 2016).

Estas percentagens mostram duas coisas. A gota é quase só masculina. E a dor nas articulações de um adulto com mais de 50 anos é muito mais vezes artrose do que artrite.

Como se confirma o diagnóstico de artrite reumatoide?

A artrite reumatoide confirma-se com os critérios ACR/EULAR 2010, aplicados pelo médico a quem tem pelo menos uma articulação com sinovite (inflamação da membrana articular) e nenhuma explicação melhor. A escala soma pontos em quatro domínios e um total de 6 em 10 classifica a doença como artrite reumatoide definida (Aletaha et al., 2010).

Que análises pede o médico de família?

As análises mais usadas na suspeita de artrite reumatoide são o fator reumatoide, os anticorpos anti-CCP e dois marcadores de inflamação, a VS e a PCR. Uma revisão clínica recomenda escolhê-las a partir de uma hipótese concreta e desaconselha os «painéis de artrite» pedidos às cegas (Kumar, Best Pract Res Clin Rheumatol 2014). Hemograma, função renal e hepática e TSH completam muitas vezes o pedido.

Um fator reumatoide positivo não é um diagnóstico

O fator reumatoide aparece noutras doenças reumáticas, em infeções e até em pessoas saudáveis (Ingegnoli et al., 2013). Sozinho, um FR positivo numa análise de rotina não quer dizer artrite. O anti-CCP é mais específico. Numa meta-análise de 56 estudos citada numa revisão sistemática, o anti-CCP2 teve sensibilidade de 68 % e especificidade de 95 %, contra 60 % e 79 % do fator reumatoide (Taylor et al., 2011). Mais fiável, mas não infalível.

O contrário também engana. Num estudo com 2 370 doentes com artrite reumatoide na Finlândia e nos Estados Unidos, a VS e a PCR estavam ambas normais na primeira consulta em 33 % e 42 % dos casos (Sokka e Pincus, 2009). Por isso a orientação britânica NICE NG100 pede que as análises não atrasem a referenciação quando o médico vê sinovite persistente (NICE). Alguns padrões justificam referenciação urgente mesmo com análises normais ou FR e anti-CCP negativos: pequenas articulações das mãos ou dos pés atingidas, mais de uma articulação inchada, ou sintomas que já duram 3 meses ou mais antes de chegar ao médico.

Porque não se deve esperar para ver se passa?

Na artrite reumatoide, começar o tratamento de fundo cedo, nos primeiros meses de sintomas, está associado a melhores resultados a longo prazo. É a chamada janela de oportunidade, e é ela que justifica a pressa na referenciação (Rheumatology, auditoria NG100). Na artrose, observar durante semanas não muda o prognóstico da mesma forma.

A norma britânica ilustra a urgência — referenciar em 3 dias úteis e ver o doente em Reumatologia em 3 semanas. Mesmo lá, a norma fica longe da prática. A auditoria nacional inglesa mostrou que só 17 % dos doentes foram referenciados pelo médico de família em 3 dias (mediana de 34 dias) e só 38 % foram vistos por um reumatologista em 3 semanas; um em cada quatro esperou mais de 7 semanas.

Estes prazos são do sistema inglês. Não são tempos garantidos no SNS.

O lado bom é que a doença controlada existe. Uma doente escreveu na Doctoralia: «já há 2 anos não tenho mais sintomas da doença» (Doctoralia). A remissão é um objetivo explícito das recomendações europeias.

Como se trata a artrite?

O tratamento da artrite depende do tipo — a artrite reumatoide trata-se com fármacos modificadores da doença, a gota com a descida do ácido úrico e a artrite séptica com antibiótico no hospital. Na artrite reumatoide, o centro do tratamento são os fármacos modificadores da doença (DMARD), escolhidos e ajustados em Reumatologia.

Artrite reumatoide: metotrexato primeiro

As recomendações EULAR 2022 põem o metotrexato como primeiro tratamento, associado a um corticoide durante pouco tempo (Smolen et al., Ann Rheum Dis 2023). Se a resposta não chega em 3 a 6 meses, o reumatologista avalia os fatores de risco: anticorpos positivos, doença muito ativa, erosões precoces. Com esses fatores, junta-se um medicamento biológico.

Os biológicos são anticorpos ou proteínas fabricados para bloquear uma peça concreta da inflamação. Se o primeiro falha, a EULAR admite outro biológico ou um inibidor de JAK, em comprimido. Há quem hesite — uma doente com artrite psoriática contou estar «relutante em tomar os biológicos» (De Mãe para Mãe) —, e essa conversa faz-se com o reumatologista, com riscos e benefícios em cima da mesa.

Em remissão mantida, a dose pode ser reduzida. Parar tudo, não — as recomendações não o aconselham.

Em Portugal, a Sociedade Portuguesa de Reumatologia mantém o Reuma.pt, o registo nacional que acompanha doentes em terapêutica biológica ao longo dos anos (SPR).

Gota: baixar o ácido úrico abaixo de 6 mg/dL

Na gota, o objetivo é manter o ácido úrico no sangue abaixo de 6 mg/dL (360 µmol/L), ou abaixo de 5 mg/dL na gota grave com tofos (EULAR 2016). O alopurinol é o primeiro fármaco, com a dose ajustada à função dos rins; o febuxostat e os uricosúricos ficam como alternativa. Para a crise aguda, o médico escolhe entre colchicina, um anti-inflamatório ou um corticoide. A educação do doente e as medidas sem medicamentos fazem parte da gestão, ao lado da medicação.

Artrite psoriática, espondilartrites e artrite reativa

Estas três formas são acompanhadas em Reumatologia, com planos definidos caso a caso. Para este guia não reunimos recomendações europeias específicas de tratamento de cada uma. Preferimos não as resumir por aproximação.

Não indicamos doses de metotrexato nem de alopurinol. As doses destes medicamentos dependem da função dos rins, das análises de controlo e da resposta de cada pessoa. O alopurinol, por exemplo, é ajustado à função renal segundo a própria recomendação EULAR. Uma tabela de doses num site seria uma tentação para mexer na medicação sem o médico, e é exatamente isso que não queremos provocar.

Pela mesma razão, não comparamos marcas de biológicos. Quando o primeiro falha, a EULAR admite vários outros como alternativa, e a escolha entre eles é do reumatologista, caso a caso.

O que contar ao médico de família quando se suspeita de artrite?

Na consulta do centro de saúde, a informação que mais ajuda é a que entra nos critérios de diagnóstico: há quanto tempo dura, que articulações incham e quanto tempo dura a rigidez de manhã. Os critérios ACR/EULAR 2010, por exemplo, dão pontos diferentes a sintomas com menos ou mais de 6 semanas.

Ajuda chegar à consulta com estas respostas já pensadas:

  • desde quando começou, com data aproximada;
  • que articulações incham, e se é dos dois lados;
  • se a rigidez da manhã passa em minutos ou arrasta-se mais de meia hora;
  • se há psoríase na pele ou nas unhas, mesmo antiga;
  • se houve diarreia ou infeção urinária nas semanas anteriores;
  • se já houve crises súbitas no dedo grande do pé.

Anotar durante uma ou duas semanas é simples.

Como chegar à consulta de Reumatologia no SNS?

No SNS, a consulta de Reumatologia marca-se através do médico de família, que referencia o pedido pelo sistema de consultas hospitalares. O prazo máximo legal para a primeira consulta é de 120 dias na prioridade normal, 60 na prioritária e 30 na muito prioritária (Portaria 153/2017), valores mantidos pela Portaria 137/2026/1.

O percurso tem quatro passos:

  1. Consulta no médico de família (USF ou UCSP do centro de saúde), com exame das articulações.
  2. Análises e, se necessário, raio-X pedidos pelo médico de família.
  3. Referenciação para a consulta hospitalar de Reumatologia, com a prioridade decidida pelo médico.
  4. Primeira consulta no hospital escolhido — em regime de livre acesso, é possível optar por outro hospital do SNS com tempo de espera menor (Circular ACSS/SPMS 21/2016).

Quanto se espera, na prática?

Os tempos reais variam muito entre hospitais. Na ULS Santa Maria, em Lisboa, o relatório oficial de agosto de 2026 dá estes tempos médios para a primeira consulta de Reumatologia (ULS Santa Maria, CTH agosto 2026):

É um hospital, não a média do país. Um levantamento do Observador apontou 212 dias de espera média para a primeira consulta de Reumatologia no SNS e 548 dias em Vila Real, com apenas um terço dos hospitais a cumprir os 120 dias (Observador).

Entre 10 e 207 dias vai uma enorme distância. É o peso da prioridade. Descrever ao médico de família a rigidez da manhã, o inchaço e há quanto tempo dura ajuda a que o pedido reflita a situação real.

Quanto custa?

Nada, em taxas moderadoras. Desde o Decreto-Lei 37/2022, as consultas do SNS feitas por referenciação não pagam taxa moderadora; esta ficou reservada à urgência hospitalar sem referenciação prévia. A Linha SNS 24 (808 24 24 24) é gratuita e funciona 24 horas — orienta sobre onde ir, mas não marca consulta de especialidade (ERS).

Sinais de alarme: quando a artrite é urgência

Uma articulação que de repente fica quente, vermelha, inchada e muito dolorosa, sobretudo sem pancada, exige avaliação no próprio dia — pode ser artrite séptica.

  • Articulação quente, vermelha e inchada, com dor intensa e súbita → urgência hospitalar ou 112. A febre pode faltar (NHS).
  • Dor articular com febre ou perda de peso sem explicação → avaliação urgente (NHS).
  • Impossibilidade de apoiar a perna ou mexer a articulação → urgência.
  • Dúvida sobre a gravidade → SNS 24, 808 24 24 24, a qualquer hora.

Uma crise de gota e uma infeção podem parecer iguais à primeira vista. Quem nunca teve gota diagnosticada não deve assumir que é «só gota» e esperar em casa.

Os suplementos para as articulações servem para a artrite?

Os suplementos vendidos para as articulações — glucosamina, condroitina, colagénio, curcumina — foram estudados sobretudo na artrose, não nas artrites inflamatórias. Nenhum substitui o metotrexato, os biológicos ou o alopurinol, e tomá-los em vez do tratamento prescrito atrasa o controlo da inflamação. Quem tem artrose, ou artrose ao lado de uma artrite já tratada, encontra o balanço da evidência por ingrediente na página sobre suplementos para as articulações.

Fontes utilizadas 22

  1. Branco JC et al. Prevalence of rheumatic and musculoskeletal diseases in Portugal: EpiReumaPt, RMD Open (2016)
  2. Aletaha D et al. 2010 Rheumatoid arthritis classification criteria, ACR/EULAR, Arthritis Rheum (2010)
  3. Smolen JS et al. EULAR recommendations for the management of rheumatoid arthritis, 2022 update, Ann Rheum Dis (2023)
  4. Richette P et al. 2016 updated EULAR evidence-based recommendations for the management of gout, Ann Rheum Dis (2017)
  5. Ledingham J et al. Achievement of NICE quality standards for patients with new presentation of inflammatory arthritis, Rheumatology (2017)
  6. NICE NG100, Rheumatoid arthritis in adults: recommendations (2018)
  7. Kumar A. How to investigate new-onset polyarthritis, Best Pract Res Clin Rheumatol (2014)
  8. Ingegnoli F et al. Rheumatoid factors: clinical applications, Dis Markers (2013)
  9. Taylor P et al. A systematic review of serum biomarkers anti-CCP and rheumatoid factor as tests for rheumatoid arthritis, Autoimmune Dis (2011)
  10. NIAMS, Rheumatoid Arthritis (2022)
  11. NHS, Septic arthritis (consultado 2026)
  12. NHS, Joint pain (consultado 2026)
  13. Portaria n.º 153/2017, TMRG no SNS, Diário da República (2017)
  14. Portaria n.º 137/2026/1, revisão dos TMRG, Diário da República (2026)
  15. ULS Santa Maria, Tempos de Resposta – Consulta Externa (CTH), agosto (2026)
  16. Decreto-Lei n.º 37/2022, taxas moderadoras, Diário da República (2022)
  17. ACSS/SPMS, Circular Informativa Conjunta n.º 21, livre acesso e circulação no SNS (2016)
  18. ERS, Acesso a cuidados de saúde através da Linha SNS 24 (2026)
  19. Observador, A maioria das especialidades não cumpre o tempo máximo de espera para consultas (consultado 2026)
  20. Sociedade Portuguesa de Reumatologia, Reuma.pt (consultado 2026)
  21. Sokka T, Pincus T. ESR, CRP or rheumatoid factor are normal at presentation in 35%-45% of patients with rheumatoid arthritis, J Rheumatol (2009)
  22. NICE NG65, Spondyloarthritis in over 16s: diagnosis and management (2017)

Perguntas frequentes

Osteoartrite e artrite reumatoide são a mesma doença?

Não. A osteoartrite é outro nome da artrose, um desgaste da cartilagem; a artrite reumatoide é uma doença autoimune que inflama a membrana da articulação. Em Portugal, a artrose do joelho atinge 12,4 % dos adultos e a artrite reumatoide 0,7 %, segundo o EpiReumaPt. A comparação completa está em artrite ou artrose: as diferenças.

Ter fator reumatoide positivo quer dizer que tenho artrite?

Não necessariamente. O fator reumatoide aparece também noutras doenças, em infeções e em pessoas saudáveis. O diagnóstico de artrite reumatoide junta exame das articulações, anti-CCP, VS, PCR e duração dos sintomas, segundo os critérios ACR/EULAR 2010.

A artrite reumatoide pode ficar sem sintomas?

Sim, a remissão é possível e é o objetivo do tratamento. Nas recomendações EULAR 2022, quem está em remissão mantida pode reduzir a medicação, mas não se aconselha parar tudo. A decisão cabe ao reumatologista, com análises de controlo.

Quanto tempo se espera por uma consulta de Reumatologia no SNS?

O limite legal é de 120 dias na prioridade normal, 60 na prioritária e 30 na muito prioritária. Na ULS Santa Maria, em agosto de 2026, a média foi de 207,55 dias na prioridade normal e 10 dias na muito prioritária. Outros hospitais têm tempos diferentes.

A consulta de Reumatologia no SNS paga taxa moderadora?

Não, se for referenciada pelo médico de família. Desde o Decreto-Lei 37/2022, a taxa moderadora só se aplica à urgência hospitalar sem referenciação. As consultas de especialidade marcadas por referenciação dentro do SNS não têm taxa.

Qual é o valor de ácido úrico que se procura na gota?

Nas recomendações EULAR para a gota, o alvo é manter o ácido úrico no sangue abaixo de 6 mg/dL, ou abaixo de 5 mg/dL na gota grave. O alopurinol é o primeiro fármaco para lá chegar, com dose ajustada à função renal. As análises de controlo mostram se o alvo foi atingido.