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Autor Redação Vive Ativo Atualizado 21 de agosto de 2026

Tratamento da artrose: o que funciona mesmo

Resposta curta: o tratamento da artrose que mais funciona não sai de uma caixa: é o exercício e o controlo do peso, com um efeito na dor comparável ao dos medicamentos. A seguir vêm os analgésicos e anti-inflamatórios (para as crises, indicados pelo médico), as pomadas (ajuda modesta, mas segura), as infiltrações e os apoios (ortóteses) em casos selecionados, e, por último, os suplementos, cuja evidência é fraca na maioria. Nenhum tratamento reconstrói a cartilagem — o objetivo é controlar a dor e manter a articulação a funcionar.

Exercício + peso — efeito comparável aos medicamentos, custo zero
Analgésicos/AINEs — para crises, com indicação médica
Último
Suplementos — evidência fraca na maioria; a curcumina é a exceção

O que funciona melhor: exercício e peso

Começamos pelo mais importante e o mais barato. Nos estudos, o exercício produz melhorias da dor e da função com um tamanho de efeito comparável ao do tratamento farmacológico: cerca de 0,52 para a dor e 0,46 para a incapacidade no exercício aeróbico, e 0,39 / 0,32 no exercício de força. Não são números de folheto — são de revisões que compararam exercício com placebo.

A perda de peso faz ainda mais. Perder cerca de 5,1 kg reduziu para metade o risco de desenvolver artrose do joelho em mulheres, ao longo de dez anos. E há uma razão mecânica: num ensaio de marcha em 3D, cada quilo de peso corporal a menos associou-se a uma redução de cerca de 4 kg na força que atravessa o joelho a cada passo. Peso e atividade física juntos funcionam melhor do que qualquer um deles isolado.

As sociedades médicas colocam o exercício como primeira linha — antes de medicamentos. Na prática: atividade de baixo impacto (andar, nadar, bicicleta), fortalecimento dos músculos à volta da articulação, um programa de 8–12 semanas, 3 a 5 vezes por semana, procurando ultrapassar os 6000 passos por dia. É o tratamento com melhor relação entre eficácia e segurança, e não custa nada.

Fisioterapia e apoios (ortóteses)

A fisioterapia estrutura esse exercício e adapta-o à sua articulação e ao seu nível: ensina os movimentos certos, corrige a forma e faz a progressão de carga sem sobrecarregar. É a forma orientada de fazer aquilo que os estudos mostram funcionar, útil sobretudo quando a dor limita começar sozinho.

Os apoios físicos completam o quadro e constam das recomendações de gestão não-farmacológica:

  • Calçado adequado. Sola amortecedora e estável reduz o impacto a cada passo.
  • Palmilhas e apoios de marcha. A bengala, usada do lado oposto à articulação dorida, retira carga do joelho ou da anca.
  • Joelheiras e talas. Dão estabilidade e conforto em fases de mais dor.

Nada disto reconstrói cartilagem, mas retira carga e dor da articulação no dia a dia — que é o objetivo realista do tratamento.

Medicamentos para a dor

Quando a dor aperta, o médico pode indicar:

  • Paracetamol — para dor ligeira, primeiro degrau.
  • Anti-inflamatórios (AINEs) como o ibuprofeno — mais eficazes na dor com inflamação, mas com efeitos secundários (estômago, rins, tensão) se usados de forma prolongada. Por isso são para crises, não para tomar sempre.

A regra é simples: os medicamentos controlam a dor, não travam a doença, e devem ser usados com a orientação do médico ou farmacêutico — sobretudo se já toma outros medicamentos.

Infiltrações: corticoide, ácido hialurónico e PRP

As infiltrações injetam medicamento diretamente na articulação e reservam-se para casos selecionados, decididos pelo médico:

  • Corticoide. Anti-inflamatório potente, dá alívio da dor a curto prazo nas crises. O efeito é temporário e não se repete indefinidamente.
  • Ácido hialurónico (viscossuplementação). Procura melhorar a "lubrificação" da articulação; o benefício é discutido e varia entre doentes.
  • PRP (plasma rico em plaquetas). Usa o próprio sangue do doente; é uma técnica mais recente, com evidência ainda em construção e não comparável à das medidas de primeira linha.

Nenhuma destas injeções regenera a cartilagem, e a decisão de as usar é sempre clínica.

Pomadas e géis para a artrose

As pomadas com anti-inflamatório (por exemplo, à base de diclofenac ou cetoprofeno) têm uma vantagem: agem no local com menos efeitos secundários do que os comprimidos, porque pouco passa para o sangue. O alívio é modesto e temporário, mas para articulações superficiais (joelho, mãos) pode ajudar nas crises.

Atenção aos géis vendidos por anúncios que prometem "regenerar a cartilagem": uma pomada não reconstrói cartilagem, faça o que fizer a publicidade.

E os suplementos?

Entram por último e com expectativas realistas. Em resumo: a glucosamina e a condroitina não superaram o placebo nos ensaios grandes; a curcumina é a que tem melhor evidência (chega a igualar os anti-inflamatórios, com menos efeitos secundários, embora a certeza dos dados seja baixa); o colagénio tipo II é promissor mas não confirmado. Nenhum reconstrói cartilagem.

Vale a pena ler o que a evidência mostra, ingrediente a ingrediente, com doses e preços em Portugal, antes de gastar.

O que dizem os guidelines (e onde discordam)

As grandes sociedades médicas concordam num ponto e dividem-se noutro — e mostrar isso é mais honesto do que fingir consenso:

  • OARSI (2019). Recomenda para todos os doentes os tratamentos-núcleo: exercício, gestão de peso e educação/autogestão. Recomenda fortemente contra glucosamina e condroitina no joelho, por falta de eficácia demonstrada.
  • ACR/Arthritis Foundation (2019). Recomenda fortemente contra glucosamina e condroitina no joelho e anca. A única exceção: a condroitina é sugerida de forma condicional apenas para a artrose das mãos.
  • EULAR. As suas recomendações de gestão não-farmacológica centram-se em plano individualizado, educação, exercício com dose e progressão, controlo de peso, calçado e apoios de marcha.
  • ESCEO. Em sentido oposto, recomenda glucosamina e condroitina de "grau farmacêutico" como primeira linha.

Ou seja: sobre exercício e peso há consenso; sobre glucosamina/condroitina, a comunidade científica está dividida, com sociedades de peso a recomendarem contra.

O que evitar

Poupe dinheiro e tempo a estes:

  • Produtos "regeneradores". Nenhum tratamento disponível reconstrói a cartilagem — seja pomada, comprimido ou injeção.
  • "Curas" e aparelhos milagrosos vendidos por anúncios, sem estudos.
  • Adiar o exercício e o peso à espera do suplemento certo: é trocar o que tem mais evidência pelo que tem menos.

E a cirurgia?

Para os casos avançados, com dor incapacitante que não melhora com nada do acima, existe a cirurgia de prótese (artroplastia), sobretudo do joelho e da anca. É eficaz a devolver mobilidade e a tirar a dor, mas é o último recurso e a decisão é do ortopedista. Em Portugal, importa contar também com as listas de espera do SNS, que nesta área são longas.

O que este guia faz — e o que não faz

Ordenamos os tratamentos pela evidência, para ajudar a saber onde pôr o esforço (e o dinheiro). Não substitui o médico, que decide os medicamentos, as doses e se um tratamento faz sentido no seu caso — sobretudo se já toma outra medicação.

Porque não indicamos uma "dose recomendada"

Não damos doses de medicamentos nem de suplementos para tomar por conta própria. A dose certa depende do fármaco, do seu peso, dos outros medicamentos e do seu caso — e alguns interagem (a glucosamina com a varfarina, por exemplo, com casos reportados de aumento do INR). Quem promete uma fórmula igual para todos está a vender, não a tratar.

EmergênciaVá ao médico, não à farmácia, se tiver
  • articulação quente, vermelha e inchada com febre
  • dor que agrava depressa em dias, com perda de peso ou mal-estar
  • rigidez de manhã com mais de 30–60 minutos

Fontes utilizadas

Perguntas frequentes

Qual é o melhor tratamento para a artrose?

O exercício e o controlo do peso, que aliviam a dor tanto como os medicamentos e não têm efeitos secundários. Os medicamentos entram para as crises, com indicação médica.

Qual a melhor pomada para a artrose?

As pomadas anti-inflamatórias (diclofenac, cetoprofeno) dão alívio modesto no local com poucos efeitos secundários. Nenhuma regenera cartilagem.

Que medicamento é bom para a artrose?

Paracetamol para dor ligeira e anti-inflamatórios para crises, sempre com orientação médica. Não há um medicamento que trave a doença.

As infiltrações curam a artrose?

Não. O corticoide alivia a dor a curto prazo nas crises, o ácido hialurónico tem benefício discutido e o PRP ainda está em estudo. Nenhuma reconstrói cartilagem.

Os suplementos tratam a artrose?

Não a "tratam" no sentido de travar. A maioria tem evidência fraca; a curcumina é a exceção com melhor suporte. Veja suplementos.