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Atualizado 15 de outubro de 2026 16 min de leitura

Glucosamina e condroitina: estudos, doses, riscos e preços

A glucosamina e a condroitina foram estudadas juntas para a dor da artrose do joelho, em doses de 1 500 mg e de 800 a 1 200 mg por dia. No maior ensaio, o GAIT, a combinação não foi melhor do que o placebo no conjunto dos doentes. Ajudou mais no subgrupo com dor moderada a forte, um resultado que os autores trataram como exploratório. Em Portugal, a glucosamina isolada existe como medicamento com folheto do Infarmed; as combinações à venda são suplementos notificados à DGAV.

1 500 mg
glucosamina por dia, a dose dos ensaios
800–1 200 mg
condroitina por dia, a dose dos ensaios
79,2 vs 54,3 %
resposta no GAIT, subgrupo com dor moderada a forte (análise exploratória)
50–75 %
menos absorção da glucosamina quando se junta a condroitina (ESCEO 2019)

A glucosamina com condroitina é medicamento ou suplemento em Portugal?

Em Portugal, a glucosamina isolada existe como medicamento autorizado pelo Infarmed, mas os produtos com glucosamina e condroitina juntas que encontrámos à venda são suplementos alimentares, da competência da DGAV. São regimes legais diferentes, com regras diferentes para o que se pode escrever na caixa, para quem controla a qualidade e para o que tem de ser provado antes da venda. (Infarmed e DGAV, «Produtos-fronteira»)

O medicamento é a Glucosamina Generis 1500 mg em pó para solução oral, com sulfato de glucosamina. O folheto foi aprovado pelo Infarmed em 12-02-2018 e indica o uso para o «alívio dos sintomas de osteoartrite do joelho, ligeira a moderada». Vende-se sem receita (MNSRM) e não tem comparticipação. (Folheto Glucosamina Generis) Há um equivalente da ratiopharm, também com 1 500 mg por saqueta.

Com a condroitina é diferente. Não conseguimos confirmar, na pesquisa pública do Infarmed, um medicamento de condroitina hoje à venda em Portugal. Segundo a DECO PROteste, o Infarmed recusou em 2010 a comparticipação a um produto de condroitina por falta de eficácia comprovada. A mesma associação escreveu em 2025 que os estudos de 2022 e 2023 não mostram vantagem com peso clínico, e que mesmo assim os medicamentos destas substâncias mantêm a autorização de venda. (DECO PROteste, 2025)

Um suplemento notificado à DGAV não passou por nenhuma avaliação de eficácia. Nem pode dizer que mantém as articulações. A EFSA avaliou essa alegação para a glucosamina, isolada ou com condroitina, e concluiu em 2009 que a relação de causa e efeito não estava estabelecida. (EFSA Journal 2009;7(9):1264)

Para que serve a glucosamina com condroitina?

A glucosamina com condroitina é usada para tentar aliviar a dor e a rigidez da artrose, sobretudo no joelho. Os ensaios mediram dor, função e a proporção de doentes que melhoram ao fim de seis meses. É nesses termos que se responde.

As duas substâncias existem naturalmente na cartilagem. Daí veio a ideia de as tomar como suplemento, mas a lógica do mecanismo não substitui o resultado dos ensaios. (NCCIH) A história de cada uma em separado está no guia sobre para que serve a glucosamina e na página sobre condroitina e o que mostram os estudos.

O que mostrou o estudo GAIT?

O GAIT, publicado no New England Journal of Medicine em 2006, comparou cinco tratamentos em 1 583 doentes com artrose do joelho durante 24 semanas. No grupo geral, nem a glucosamina, nem a condroitina, nem as duas juntas foram melhores do que o placebo. Só o celecoxib, um anti-inflamatório, teve diferença estatística. (Clegg et al., NEJM 2006)

Há uma segunda metade do estudo.

No subgrupo pré-definido de 354 doentes com dor moderada a forte, a combinação teve 79,2 % de respostas contra 54,3 % com placebo (p = 0,002). Os próprios autores chamaram-lhe um resultado exploratório. Serve para levantar uma hipótese. Não substitui o resultado principal, que foi negativo, e os sites que citam só o 79,2 % estão a contar metade da história.

A combinação é tão eficaz como um anti-inflamatório?

No ensaio MOVES, a combinação de sulfato de condroitina com cloridrato de glucosamina aliviou a dor tanto como o celecoxib 200 mg por dia. Participaram 606 doentes com artrose do joelho de grau 2 a 3 e dor moderada a forte, durante seis meses, em dupla ocultação. (Hochberg et al., Ann Rheum Dis 2016)

A dor na escala WOMAC desceu 50,1 % com a combinação e 50,2 % com o celecoxib. Cerca de 79 % dos doentes de cada grupo cumpriram os critérios de resposta OMERACT-OARSI. Foi um empate.

O MOVES não teve grupo de placebo. Mostrou que a combinação não é inferior ao celecoxib, e isso não é o mesmo que provar que é melhor do que nada. A diferença é de desenho.

E isso muda tudo.

O que concluem as revisões Cochrane?

As duas revisões Cochrane dão respostas diferentes para cada substância. A da glucosamina, com 20 estudos e 2 570 doentes, só encontrou benefício claro nos ensaios com a preparação da marca Rotta, um sulfato cristalino, enquanto as outras preparações e os estudos com ocultação bem feita, que são os menos sujeitos a enviesamento, falharam em mostrar diferença face ao placebo. A marca pesou. Em segurança, a glucosamina foi comparável ao placebo, com um risco relativo de 0,97. (Cochrane CD002946)

A revisão da condroitina, de 2015, mediu quantos doentes ficavam com a dor do joelho pelo menos 20 % mais baixa. Foram 53 em cada 100 com condroitina e 47 em cada 100 com placebo. Seis pessoas a mais. A qualidade da evidência para a dor foi considerada baixa. A mesma revisão registou menos eventos adversos graves com condroitina do que com placebo (odds ratio 0,40). (Cochrane CD005614)

Porque é que a ESCEO desaconselha juntar as duas na mesma cápsula?

A ESCEO desaconselha a combinação porque a condroitina reduz a absorção da glucosamina em 50 a 75 %, e porque não existe nenhum medicamento de prescrição que junte as duas. A recomendação contra é fraca. (ESCEO 2019)

A mesma sociedade recomenda de forma forte cada uma delas em separado, desde que seja a versão de prescrição. Cita ainda um ensaio com 164 doentes com dor moderada a forte que tomaram 1 200 mg de condroitina e 1 500 mg de sulfato de glucosamina por dia durante seis meses. A combinação não foi superior ao placebo.

É exatamente o par de doses que aparece nas caixas e nas pesquisas, «glucosamina 1500 mg, condroitina 1200 mg». Testado assim, junto, num ensaio com doentes que tinham dor suficiente para mostrar diferença, não a mostrou.

As outras sociedades são mais negativas.

Fontes da tabela: ESCEO 2019, ACR/AF 2019, NICE NG226 em tabela de síntese, OARSI 2019.

Para dar uma escala, a ESCEO calcula para a glucosamina de prescrição um tamanho de efeito na dor de 0,27, o que é mais do que o paracetamol (0,14) e fica perto dos anti-inflamatórios orais (0,32), um valor que a própria ESCEO descreve como pequeno e que só ganha sentido quando comparado com os medicamentos que as pessoas já tomam para a dor.

Que dose de glucosamina e condroitina foi estudada?

Os ensaios usaram 1 500 mg de glucosamina por dia e 800 a 1 200 mg de sulfato de condroitina por dia. A glucosamina sulfato cristalina de prescrição toma-se numa só dose; no MOVES, a combinação foi repartida por três tomas. O efeito, quando existiu, apareceu de forma gradual ao longo de 4 a 12 semanas, e os ensaios positivos duraram de 24 semanas a seis meses. (ESCEO 2019)

Estas são as doses dos estudos. Não são uma prescrição, e quem toma outros medicamentos deve confirmar a dose com o médico ou com o farmacêutico antes de começar, porque as interações contam mais do que os miligramas.

Sulfato ou cloridrato de glucosamina?

A ESCEO separa a glucosamina sulfato cristalina de prescrição, produzida por um processo próprio e estabilizado, de todas as outras. Só essa mostrou de forma consistente boa absorção e níveis no sangue que acompanham o efeito clínico. O cloridrato e os sulfatos de venda livre não mostraram efeito nos ensaios de maior qualidade, embora o MOVES tenha usado cloridrato na combinação.

Como confirmar a dose num rótulo?

A dose que interessa é a da toma diária, somada entre cápsulas. No Solgar Glucosamina Condroitina MSM, os 1 500 mg de glucosamina e os 1 200 mg de condroitina estão repartidos por três comprimidos. Um comprimido por dia dá um terço disso. Não chega à dose.

Quais são os efeitos secundários da glucosamina e condroitina?

Nos ensaios, a glucosamina teve tantos efeitos adversos como o placebo, e a condroitina teve menos eventos adversos graves do que o placebo. O perfil nos ensaios é tranquilo. Os riscos que contam estão fora deles, nas interações com anticoagulantes, nas alergias e em algumas doenças crónicas.

Varfarina e acenocumarol. Uma análise de farmacovigilância reuniu 20 relatos da FDA e 21 da OMS de INR aumentado em pessoas anticoaguladas que tomaram glucosamina; um terminou em hemorragia intraventricular grave. (Knudsen e Sokol, 2008) O NCCIH associa a combinação a maior risco de hemorragia com varfarina. Quem está anticoagulado não deve começar sem falar com o médico que controla o INR.

  • Alergia a marisco. Quem é alérgico a camarão ou caranguejo deve saber que a maior parte da glucosamina vem de cascas de crustáceos; os folhetos costumam desaconselhá-la nesse caso.
  • Diabetes. Em pessoas sem diabetes, a glucosamina em dose habitual não alterou a glicemia, mas em diabetes não tratada ou descontrolada pode mexer nos valores de glicose. (Biggee 2007 e outros, Europe PMC)
  • Gravidez e amamentação. Não encontrámos ensaios nem orientações com dados de segurança. Por precaução, é uma situação para não tomar.
  • Peso. Não encontrámos nenhum estudo que tenha medido o efeito da glucosamina ou da condroitina no peso.

O que acrescentam o MSM, o ácido hialurónico e o colagénio?

Os três ingredientes que mais aparecem junto da glucosamina e da condroitina têm provas mais fracas ou diferentes. Juntá-los na mesma embalagem não soma efeitos demonstrados. Soma apenas ingredientes.

O MSM (metilsulfonilmetano) reduziu a dor em 6,34 mm numa escala de 100 mm, numa meta-análise de três ensaios com 326 doentes. Não teve significado estatístico. (meta-análise DMSO e MSM)

O ácido hialurónico em cápsulas não é o mesmo que as infiltrações no joelho. Por via oral, uma revisão de 2024 viu melhoria em 9 de 11 estudos pequenos, com 597 doentes no total. (revisão 2024) Nas infiltrações, os 18 ensaios de melhor qualidade de uma meta-análise de 2012 deram um efeito clinicamente irrelevante e mais eventos adversos graves (risco relativo 1,41). (Rutjes 2012, Europe PMC)

O colagénio baixou o índice WOMAC total e a rigidez numa meta-análise de 2019, sem mudar as subescalas de dor e de função. (García-Coronado 2019) Os tipos de colagénio e as doses estão no guia de colagénio para as articulações.

Mais ingredientes numa fórmula significam, muitas vezes, menos informação.

O Arkoflex Colagénio Total junta mais de dez substâncias, incluindo glucosamina e condroitina, sem indicar os mg de cada uma na página de venda.

Quanto custa a glucosamina com condroitina em Portugal?

A 24 de setembro de 2026, a glucosamina de 1 500 mg em saquetas custava 11,45 € por 60 dias numa farmácia online, e um pó com glucosamina, condroitina e colagénio custava 25,35 €. Condroitina sozinha, sem glucosamina, não a encontrámos em nenhuma das farmácias online portuguesas que consultámos.

Preços verificados a: 24 de setembro de 2026

Nesta tabela, só a glucosamina em saquetas tem dose declarada e preço confirmado no mesmo dia. O Solgar declara as doses dos ensaios, mas o preço é de agosto e é precisamente a combinação que a ESCEO desaconselha. O Bioactivo Glucosamina Plus, com glucosamina e condroitina, não entrou porque a loja só mostra o preço depois de escolhida uma farmácia física.

Há ainda produtos vendidos online que juntam glucosamina a outros ingredientes sem publicar os miligramas, como o ArtiZynt (glucosamina, colagénio, curcuma e minerais, sem condroitina), cujo fabricante não publica os miligramas: 39 € por 20 cápsulas, preço do vendedor a 24-09-2026.

Glucosamina e condroitina: o que os ensaios mediram e quanto custam

Aqui estão os resultados dos ensaios com glucosamina e condroitina, a posição das sociedades médicas, o estatuto legal em Portugal e os preços de um dia concreto. Cada número tem a fonte ao lado.

Não há aqui diagnóstico nem receita. Se a dor é mesmo de artrose, se a combinação faz sentido com a medicação que já se toma e em que dose, são perguntas para o médico de família ou para o farmacêutico.

Porque não damos um veredicto de «funciona» ou «não funciona»

Os dados não cabem numa frase curta. O GAIT foi negativo no geral e positivo num subgrupo; o MOVES empatou com um anti-inflamatório sem grupo de placebo; a ESCEO apoia cada substância em separado e as outras sociedades recomendam contra. Resumir isto num sim ou num não seria escolher metade dos estudos.

Quem quer o plano completo para a artrose, com exercício, peso, medicamentos e o caminho no SNS, encontra-o no guia de tratamento da artrose. O que é a doença e como se diagnostica está no guia geral sobre a artrose.

Fontes utilizadas 23

  1. Infarmed e DGAV — Produtos-fronteira entre suplementos alimentares e medicamentos (consultado 2026)
  2. Infarmed — Folheto informativo Glucosamina Generis 1500 mg pó para solução oral (2018)
  3. DECO PROteste — Glucosamina e condroitina ajudam a prevenir ou tratar a osteoartrose? (2025)
  4. Farmácia da Liga — Glucosamina ratiopharm MG 1500 mg x 60 saquetas (preço a 24-09-2026)
  5. Loja da Farmácia — Arkoflex Colagénio Total pó 390 g (preço a 24-09-2026)
  6. Loja da Farmácia — Arkoflex Colagénio cápsulas x60 (preço a 24-09-2026)
  7. Celeiro — Solgar Glucosamina Condroitina MSM 60 comprimidos (preço registado em agosto de 2026)
  8. EFSA — Glucosamina, isolada ou com condroitina, e manutenção das articulações, EFSA Journal 2009;7(9):1264 (2009)
  9. Clegg DO et al. — Estudo GAIT, N Engl J Med, DOI 10.1056/NEJMoa052771 (2006)
  10. Hochberg MC et al. — Estudo MOVES, Ann Rheum Dis, DOI 10.1136/annrheumdis-2014-206792 (2016)
  11. Towheed T et al. — Glucosamina para a artrose, Cochrane CD002946 (2005)
  12. Singh JA et al. — Condroitina para a artrose, Cochrane CD005614 (2015)
  13. Bruyère O et al. — Algoritmo ESCEO para a artrose do joelho, Semin Arthritis Rheum, DOI 10.1016/j.semarthrit.2019.04.008 (2019)
  14. Kolasinski SL et al. — Guideline ACR/Arthritis Foundation, DOI 10.1002/art.41142 (2019)
  15. Revisão com a tabela das recomendações NICE NG226 (2025)
  16. Bannuru RR et al. — Guideline OARSI para a gestão não cirúrgica da artrose (2019)
  17. Knudsen JF, Sokol GH — Glucosamina e varfarina, Pharmacotherapy, DOI 10.1592/phco.28.4.540 (2008)
  18. NCCIH — Glucosamine and chondroitin for osteoarthritis: what you need to know (2023)
  19. Europe PMC — Estudos sobre glucosamina, glicose e insulina (Tannis 2004, Biggee 2007, Saghafi 2016)
  20. Meta-análise — DMSO e MSM na artrose (2011)
  21. Revisão sistemática — Ácido hialurónico oral nas articulações, 11 estudos (2024)
  22. Rutjes AWS et al. — Viscossuplementação na artrose do joelho, Ann Intern Med (2012)
  23. García-Coronado JM et al. — Colagénio na artrose, meta-análise, Int Orthop, DOI 10.1007/s00264-018-4211-5 (2019)

Perguntas frequentes

Para que serve a glucosamina e condroitina?

A combinação foi estudada para aliviar a dor da artrose do joelho. No GAIT não superou o placebo no conjunto dos doentes, mas teve 79,2 % de respostas contra 54,3 % no subgrupo com dor moderada a forte, um resultado que os autores consideraram exploratório.

A glucosamina e condroitina está registada no Infarmed?

A glucosamina isolada de 1 500 mg está, como medicamento sem receita e não comparticipado, para os sintomas da osteoartrite ligeira a moderada do joelho. Os produtos que juntam glucosamina e condroitina que encontrámos são suplementos alimentares, da competência da DGAV, e não do Infarmed.

Quanto tempo se deve tomar glucosamina e condroitina até ver efeito?

Nos ensaios, o efeito surgiu de forma gradual entre 4 e 12 semanas de toma diária. Os estudos com resultado positivo duraram de 24 semanas a seis meses, por isso uma caixa de poucos dias não permite avaliar nada.

Posso tomar glucosamina e condroitina com varfarina?

Só depois de falar com o médico que acompanha o anticoagulante. Há relatos de subida do INR com glucosamina em pessoas a tomar varfarina, incluindo um caso de hemorragia grave, e o NCCIH associa a combinação a maior risco de hemorragia.

Quem é alérgico a marisco pode tomar glucosamina?

Os folhetos costumam desaconselhar a glucosamina a quem tem alergia a marisco, porque é habitualmente extraída de carapaças de crustáceos. Existe glucosamina obtida por fermentação de milho; a origem deve estar indicada no rótulo e ser confirmada com o farmacêutico.

A glucosamina e condroitina engorda?

Não há dados para responder. Não encontrámos nenhum estudo que tenha medido o efeito da glucosamina ou da condroitina no peso, pelo que não é possível dizer que engorda nem que não engorda.